Itamar Vieira Jr., Tati Bernardi, Flávia Oliveira, Fausto Fawcett e Jamil Chade fizeram parte da programação
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O universo de João Guimarães Rosa, a força da literatura brasileira e os principais debates da contemporaneidade atravessam a programação do primeiro dia do Sesc na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), nesta quinta-feira, 23 de julho. Ao longo do dia, os três espaços da instituição na cidade — Sesc Santa Rita, Casa Sesc e Casa Edições Sesc — recebem escritores, artistas, jornalistas, pesquisadores e leitores para encontros que reforçam a literatura como lugar de reflexão, experimentação e diálogo.
Um dos destaques do dia é a celebração dos 70 anos de “Grande Sertão: Veredas”. Às 11h, no Sesc Santa Rita, o escritor Itamar Vieira Junior, autor do premiado “Torto Arado”, conduz uma conferência sobre a atualidade e a potência literária da obra-prima de Guimarães Rosa. O encontro propõe uma reflexão sobre a linguagem rosiana e as múltiplas leituras que o romance continua a provocar, em diálogo com temas como memória, território e identidade.
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O sertão de Rosa ganha novos sons e linguagens ao longo da programação. Às 15h, Fausto Fawcett apresenta a palestra-performance “Electro-xamanismo e o algoritmo do pacto nos 70 anos do Grande Sertão: Veredas”, permeando a obra do escritor mineiro a partir da literatura, do som e da imagem. Já às 17h30, o violeiro, compositor e pesquisador Paulo Freire apresenta “Viola, Rosa e Sertão”, espetáculo inspirado em sua experiência e vivência no sertão do Urucuia, região que marcou a criação de “Grande Sertão: Veredas”. No show, ele toca músicas do interior do Brasil, inspiradas no cotidiano do sertanejo, além de divertidos cocos de viola – canções típicas dos vaqueiros.
A programação do Sesc Santa Rita se encerra com o talk show literário conduzido por Tati Bernardi. Às 19h30, a escritora recebe Bruna Lombardi para uma conversa que promete revelar os bastidores da leitura e da escrita, com humor, provocações e jogos literários. Bruna é autora do livro “Diário do grande sertão”, que relata os bastidores da minissérie “Grande sertão: veredas” (TV Globo), de 1985, na qual ela faz Diadorim, e que será reeditado em comemoração aos 70 anos da obra.
A Construção de um Gênio
Outro diferencial da exposição é apresentar Picasso além do mito. Em vez de retratá-lo como um artista isolado, será destacado o universo criativo que o cercava por meio de 31 obras de duas mulheres fundamentais em sua trajetória: Dora Maar e Françoise Gilot.
De Dora Maar estarão expostas 15 obras, entre pinturas, desenhos, aquarelas e dez fotografias da série Le Temps Déborde, além do histórico registro fotográfico da criação de Guernica — documento produzido por ela enquanto Picasso pintava aquele que se tornaria seu trabalho mais famoso e um dos maiores símbolos mundiais contra a guerra. O visitante poderá acompanhar, por meio dessas imagens, como nasceu uma das obras mais importantes da história da arte.
Já Françoise Gilot participa da exposição com as 16 litografias – um método de impressão criado em 1796 que usa uma pedra especial ou placa de metal – da série Pages d’Amour (1951). Pintora e escritora reconhecida internacionalmente, ela construiu uma carreira própria e tornou-se a única companheira de Picasso a deixá-lo por decisão própria. Sua presença reforça a proposta da exposição de valorizar também os artistas que fizeram parte da vida do pintor espanhol.
As fotografias de Robert Capa, um dos maiores fotojornalistas do século XX, completam o percurso revelando um lado pouco conhecido de Picasso. Os registros mostram momentos descontraídos do artista na França, já consagrado mundialmente, aproximando o visitante da pessoa por trás do gênio.
Pensada para receber desde quem nunca entrou em um museu até especialistas em arte, a exposição reúne textos em linguagem acessível, recursos digitais, materiais educativos e ferramentas de acessibilidade para pessoas com deficiência visual. Além de proporcionar contato com obras que normalmente circulam apenas por grandes museus e coleções europeias, a exposição representa uma oportunidade de ampliar o repertório cultural, estimular a criatividade e compreender por que Picasso continua sendo, mais de 50 anos após sua morte, um dos artistas mais influentes da história.